Registros históricos - Engrenagens
Não há um único inventor conhecido da roda dentada, pois ela evoluiu a partir de mecanismos rudimentares de engrenagem que surgiram em diferentes civilizações antigas. Registros históricos indicam o uso de engrenagens primitivas, provavelmente feitas de madeira, em mecanismos simples por volta de 1000 a.C.
Os mecânicos gregos de Alexandria foram pioneiros no desenvolvimento de engrenagens mais sofisticadas, que foram aprimoradas por figuras como Arquimedes.
Fig. 1 - Desenhos de Leonardo da Vinci
sobre invenções de Arquimedes- O inventor alexandrino Héron usou engrenagens em um hodômetro (medidor de distância) por volta de 100 a.C.
- As primeiras descrições escritas sobre engrenagens foram feitas por Aristóteles, no século 4 a.c. Ele mencionou elementos como parafuso sem-fim e coroa em seus escritos.
Transmissão de movimento
A transmissão do movimento circular de uma polia para outra, pode ser feita de dois modos:
- Utilizando-se uma correia ou uma corrente;
- Estabelecendo-se um contato direto entre as polias.
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| Fig. 2 - Transmissão de movimento por correia dentada. |
Após o “contato” e estabelecido o movimento circular iremos fazer algumas análises.
Sejam duas rodas ligadas através de uma correia e o raio (r1 é maior que o r2) no qual a transmissão ocorre da roda de menor raio para a de maior.
A velocidade angular se relaciona com a frequência por: Angular: φ = ω.t.
Quanto à velocidade linear/tangencial (V = ω . R), seu valor é diretamente proporcional ao raio R da trajetória descrita; pois, geometricamente, o perímetro da circunferência desenhada no movimento equivale à distância percorrida.
Esquematicamente, temos na primeira figura a transmissão por correia e na segunda o contato direto.
Não havendo escorregamento os pontos periféricos das polias têm a mesma velocidade linear. Assim, vem: VA = VB (velocidade periférica.
Sendo V = ω.R e ω = 2π.f, resulta:
ωA.RA = ωB.RB
fA.RA = fB.RB
Relação de Transmissão
Em algumas situações é necessário transferir o movimento circular de um ponto para outro, para isso usamos o que chamamos de transmissão de movimento circular, que pode ser vários tipos. Um exemplo cotidiano de transmissão de movimento circular está nos automóveis, nesses veículos o movimento circular do motor é transferido para as rodas por meio do que chamamos de “transmissão” ou “câmbio”.
A relação de transmissão de movimento circular é um valor numérico, geralmente expressado em forma de fração que nos permite encontrar a diferença de velocidade angular e consequente redução ou ampliação do torque entre dois eixos que são unidos por uma transmissão de movimento circular.
A diferença de velocidade entre os eixos ocorre devido a diferença dos raios das polias ou rodas de fricção, bem como a diferença entre o número de dentes das engrenagens nos casos em que essas são usadas.
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| Fig. 4 - Polias (a) e Engrenagens (b). |
Figura 8: Diagrama esquemático de (a) polias acopladas com correia plana e (b) engrenamento.
- Se Ra = Rb a relação de transmissão é Rb / Ra = 1 / 1 o que lemos “um para um”. Nesse caso as duas polias possuem a mesma velocidade angular. O mesmo ocorre nos casos em que n1 = n2.
- Se Ra < Rb, por exemplo Ra = 1 e Rb = 10, a relação fica Rb / Ra = 10 / 1 e lemos “dez para um”, nesse caso dizemos que houve uma redução da velocidade angular de a para b. As reduções de velocidade angular quase sempre estão associadas à necessidade de ampliação do torque disponível no conjunto. O mesmo ocorre nos casos em que n1 < n2.
- Se Ra > Rb, por exemplo Ra = 10 e Rb = 2, a relação fica Rb / Ra = 2 / 10 e lemos “dois para dez”, nessa situação dizemos que houve uma ampliação da velocidade angular de a para b. As ampliações de velocidade têm como consequência uma diminuição do torque. O mesmo também ocorre nos casos em que n1 > n2.
Exercícios sobre engrenagens
Como exemplo, podemos citar duas polias ligadas por uma correia com raios de 20 cm e 50 cm cada. A polia de menor raio gira com uma frequência equivalente a 50 Hz. Com qual frequência a polia maior estará girando?
Resolução: fA.RA = fB.R => 50 . 0,2 = f . 0,5 => 10 = 0,5.f => f = 10 / 0,5 => f = 20Hz.
EX 01. (Unicamp) - Considere as três engrenagens acopladas simbolizadas na figura a seguir. A engrenagem A tem 50 dentes e gira no sentido horário, indicado na figura, com velocidade angular de 100 rpm (rotação por minuto). A engrenagem B tem 100 dentes e a C tem 20 dentes.
a) Qual é o sentido de rotação da engrenagem C?
Resolução: A engrenagem C gira no sentido horário.
b) Quanto vale a velocidade tangencial da engrenagem A em dentes/min?
Resolução: VA = ω . R=> VA = 50 . 100 => VA = 5000 dentes/min.
c) Qual é a velocidade angular de rotação (em rpm) da engrenagem B?
Resolução: VA = VB => 5000 = VB => 5000 = ωB . RB => RB = 5000 / 100 => RB = 50 rpm.
EX 02. (Ufscar) - Para misturar o concreto, um motor de 3,5 hp tem solidária ao seu eixo uma engrenagem de 8 cm de diâmetro, que se acopla a uma grande cremalheira em forma de anel, com 120 cm de diâmetro, fixa ao redor do tambor misturador. Quando o motor é ligado, seu eixo gira com frequência de 3 Hz. Nestas condições, o casco do misturador dá um giro completo em:
a) 3 s.
b) 5 s.
c) 6 s.
d) 8 s.
e) 9 s.
EX 03. (Ufscar) - Para possibilitar o translado da fábrica até a construção, o concreto precisa ser mantido em constante agitação. É por esse motivo que as betoneiras, quando carregadas, mantêm seu tambor misturador sob rotação constante de 4 r.p.m. Esse movimento só é possível devido ao engate por correntes de duas engrenagens, uma grande, presa ao tambor e de diâmetro 1,2 m, e outra pequena, de diâmetro 0,4 m, conectada solidariamente a um motor.
Na obra, para que a betoneira descarregue seu conteúdo, o tambor é posto em rotação inversa, com velocidade angular 5 vezes maior que a aplicada durante o transporte. Nesse momento, a frequência de rotação do eixo da engrenagem menor, em r.p.m., é:
a) 40.
b) 45.
c) 50.
d) 55.
e) 60.
© Direitos de autor. 2026: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 02/01/2026




























